quarta-feira, março 19, 2003
segunda-feira, março 17, 2003
Texto de Terry Jones, ex-membro do Monty Phyton, publicado no jornal London Observer em 26/01/2003
Estou realmente animado com a mais recente razão de George Bush para bombardear o Iraque: a paciência dele está acabando. E a
minha também! Há algum tempo tenho ficado realmente irritado com o Sr. Johnson, que mora na minha rua. Bem, ele e o Sr. Patel, dono da loja de comida natural. Os dois me olham esquisito e tenho certeza de que o Sr. Johnson está planejando algo ruim para mim, mas até agora não pude descobrir o que é. Já passei pela casa dele algumas vezes para ver o que ele estava fazendo, mas ele sabe esconder bem as coisas.
Ele é enganoso assim. Quanto ao Sr. Patel, não me pergunte como eu sei, eu simplesmente sei [de fontes excelentes] que ele é um assassino em massa. Já panfletei para a rua inteira dizendo que, se não agirmos antes, ele vai nos atacar um a um.
Alguns dos meus vizinhos dizem que se eu tenho alguma prova, por que não vou à polícia? Mas isso é simplesmente ridículo. A polícia vai dizer que eles precisam de provas de um crime para acusar meus vizinhos. Eles vão inventar todo tipo de desculpas e começar a enrolar com os erros e acertos de prisões preventivas enquanto o Sr. Johnson vai finalizar seus planos para fazer coisas terríveis comigo e o Sr. Patel vai assassinar secretamente as pessoas. Já que sou o único na rua com uma quantidade razoável de armas de fogo automáticas, concluo que é minha função manter a paz. Mas até pouco tempo isso tem sido um pouco difícil.
Agora, no entanto, George W. Bush deixou claro que a única coisa que preciso fazer é perder a paciência e depois posso fazer o que
quiser! E, encaremos, a cuidadosa política do Sr. Bush em relação ao Iraque é a única forma de concretizar a paz e segurança
internacional.
A única forma certa de impedir que os terroristas suicidas muçulmanos fundamentalistas ataquem os EUA e o Reino Unido é
bombardear alguns países muçulmanos que nunca nos ameaçaram. É por isso que quero explodir a garagem do Sr. Johnson e matar a mulher e os filhos dele. Atacar primeiro! Isso vai ensiná-lo uma lição. Depois ele vai nos deixar em paz e parar de me olhar de forma esquisita totalmente inaceitável.
O Sr. Bush deixou claro que tudo que ele precisa saber antes de bombardear o Iraque é que Saddam é um cara muito, muito mau e
que ele tem armas de destruição em massa, apesar de ninguém conseguir encontrá-las. Tenho certeza de que tenho tanta justificativa
quanto ele para matar a mulher e os filhos do Sr. Johnson quando o Sr. Bush tem para bombardear o Iraque. O objetivo em longo prazo do Sr. Bush é tornar o mundo um lugar mais seguro, eliminando 'países ilegítimos' e 'terrorismo'. É um objetivo tão esperto!
Pois como podemos saber quando o atingimos?
Como o Sr. Bush vai saber que exterminou todos os terroristas? Quando todos os terroristas estiverem mortos? Mas um terrorista
só é um terrorista depois de cometer um ato de terrorismo. E os futuros terroristas?
São esses que é preciso eliminar realmente, já que a maioria dos terroristas conhecidos, sendo suicidas, já se auto-eliminaram.
Talvez o Sr. Bush precise eliminar todas as pessoas que teriam alguma possibilidade de vir a ser um futuro terrorista? Talvez ele
não possa ter certeza de que atingiu seu objetivo até todos os muçulmanos fundamentalistas estarem mortos? Mas aí alguns
muçulmanos moderados podem se converter para o fundamentalismo. Talvez a única coisa segura a fazer seja eliminar todos os
muçulmanos?
É a mesma coisa na minha rua. Sr. Johnson e Sr. Patel são apenas a ponta do iceberg. Existem dezenas de pessoas na rua de quem eu não gosto e que, sinceramente, me olham estranho. Ninguém vai estar realmente a salvo até eu ter eliminado todos.
Minha esposa diz que eu estou indo longe demais, mas eu respondo a ela que simplesmente uso a mesma lógica que o
presidente dos EUA. Isso cala a boca dela.
Como o Sr. Bush, minha paciência acabou e, se isso é uma razão boa o suficiente para o presidente, é boa para mim também.
Eu vou dar à rua inteira duas semanas - não, dez dias - para revelar e entregar todos os aliens e seqüestradores interplanetários,
criminosos galácticos e gênios terroristas interestrelares. Se eles não os entregarem de boa vontade e agradecerem, vou
mandar a rua inteira para os ares.
É uma medida tão sã quando a que George W. Bush está propondo e, em contraste com o que ele pretende, minha política vai destruir apenas uma rua.
Agradecimentos a Natasha Lang
Estou realmente animado com a mais recente razão de George Bush para bombardear o Iraque: a paciência dele está acabando. E a
minha também! Há algum tempo tenho ficado realmente irritado com o Sr. Johnson, que mora na minha rua. Bem, ele e o Sr. Patel, dono da loja de comida natural. Os dois me olham esquisito e tenho certeza de que o Sr. Johnson está planejando algo ruim para mim, mas até agora não pude descobrir o que é. Já passei pela casa dele algumas vezes para ver o que ele estava fazendo, mas ele sabe esconder bem as coisas.
Ele é enganoso assim. Quanto ao Sr. Patel, não me pergunte como eu sei, eu simplesmente sei [de fontes excelentes] que ele é um assassino em massa. Já panfletei para a rua inteira dizendo que, se não agirmos antes, ele vai nos atacar um a um.
Alguns dos meus vizinhos dizem que se eu tenho alguma prova, por que não vou à polícia? Mas isso é simplesmente ridículo. A polícia vai dizer que eles precisam de provas de um crime para acusar meus vizinhos. Eles vão inventar todo tipo de desculpas e começar a enrolar com os erros e acertos de prisões preventivas enquanto o Sr. Johnson vai finalizar seus planos para fazer coisas terríveis comigo e o Sr. Patel vai assassinar secretamente as pessoas. Já que sou o único na rua com uma quantidade razoável de armas de fogo automáticas, concluo que é minha função manter a paz. Mas até pouco tempo isso tem sido um pouco difícil.
Agora, no entanto, George W. Bush deixou claro que a única coisa que preciso fazer é perder a paciência e depois posso fazer o que
quiser! E, encaremos, a cuidadosa política do Sr. Bush em relação ao Iraque é a única forma de concretizar a paz e segurança
internacional.
A única forma certa de impedir que os terroristas suicidas muçulmanos fundamentalistas ataquem os EUA e o Reino Unido é
bombardear alguns países muçulmanos que nunca nos ameaçaram. É por isso que quero explodir a garagem do Sr. Johnson e matar a mulher e os filhos dele. Atacar primeiro! Isso vai ensiná-lo uma lição. Depois ele vai nos deixar em paz e parar de me olhar de forma esquisita totalmente inaceitável.
O Sr. Bush deixou claro que tudo que ele precisa saber antes de bombardear o Iraque é que Saddam é um cara muito, muito mau e
que ele tem armas de destruição em massa, apesar de ninguém conseguir encontrá-las. Tenho certeza de que tenho tanta justificativa
quanto ele para matar a mulher e os filhos do Sr. Johnson quando o Sr. Bush tem para bombardear o Iraque. O objetivo em longo prazo do Sr. Bush é tornar o mundo um lugar mais seguro, eliminando 'países ilegítimos' e 'terrorismo'. É um objetivo tão esperto!
Pois como podemos saber quando o atingimos?
Como o Sr. Bush vai saber que exterminou todos os terroristas? Quando todos os terroristas estiverem mortos? Mas um terrorista
só é um terrorista depois de cometer um ato de terrorismo. E os futuros terroristas?
São esses que é preciso eliminar realmente, já que a maioria dos terroristas conhecidos, sendo suicidas, já se auto-eliminaram.
Talvez o Sr. Bush precise eliminar todas as pessoas que teriam alguma possibilidade de vir a ser um futuro terrorista? Talvez ele
não possa ter certeza de que atingiu seu objetivo até todos os muçulmanos fundamentalistas estarem mortos? Mas aí alguns
muçulmanos moderados podem se converter para o fundamentalismo. Talvez a única coisa segura a fazer seja eliminar todos os
muçulmanos?
É a mesma coisa na minha rua. Sr. Johnson e Sr. Patel são apenas a ponta do iceberg. Existem dezenas de pessoas na rua de quem eu não gosto e que, sinceramente, me olham estranho. Ninguém vai estar realmente a salvo até eu ter eliminado todos.
Minha esposa diz que eu estou indo longe demais, mas eu respondo a ela que simplesmente uso a mesma lógica que o
presidente dos EUA. Isso cala a boca dela.
Como o Sr. Bush, minha paciência acabou e, se isso é uma razão boa o suficiente para o presidente, é boa para mim também.
Eu vou dar à rua inteira duas semanas - não, dez dias - para revelar e entregar todos os aliens e seqüestradores interplanetários,
criminosos galácticos e gênios terroristas interestrelares. Se eles não os entregarem de boa vontade e agradecerem, vou
mandar a rua inteira para os ares.
É uma medida tão sã quando a que George W. Bush está propondo e, em contraste com o que ele pretende, minha política vai destruir apenas uma rua.
Agradecimentos a Natasha Lang
quinta-feira, março 13, 2003
Para se pedir a paz...
Para falar sobre a guerra, é necessário antes falar de amor
Para pedir a paz, é necessário antes falar de compreensão
Para obtermos a felicidade e a justiça que esperamos, é necessário muito mais
A paz é possível se todos tiverem a grandeza para aceitá-la com todas as suas consequências.
A paz é possível se cada um de nós respirarmos fundo quantas vezes for preciso
A paz é possível.
Mas o ser humano não é.
Mas ser humano, não é.
David Lima - 13-03-2003
Para falar sobre a guerra, é necessário antes falar de amor
Para pedir a paz, é necessário antes falar de compreensão
Para obtermos a felicidade e a justiça que esperamos, é necessário muito mais
A paz é possível se todos tiverem a grandeza para aceitá-la com todas as suas consequências.
A paz é possível se cada um de nós respirarmos fundo quantas vezes for preciso
A paz é possível.
Mas o ser humano não é.
Mas ser humano, não é.
David Lima - 13-03-2003
quarta-feira, março 12, 2003
NO WAR
O excelente grupo Beastie Boys lançou uma música contra a guerra. Bem corajoso e interessante. Para baixar a mp3 e ler a letra, basta acessar o site dos caras que fica em: www.beastieboys.com.
Abaixo a parte da letra que eu mais gostei:
It’s time to lead the way and de-escalate
Lose the weapons of mass destruction and the hate
Say ooh ah what’s the White House doin’?
Oh no! Say, what in tarnation have they got brewing??!!!!???!!
Well I’m not pro Bush and I’m not pro Saddam
We need these fools to remain calm
George Bush you’re looking like Zoolander
Trying to play tough for the camera
What am I on crazy pills? We’ve got to stop it
Get your hand out my grandma’s pocket
We need health care more than going to war
You think it’s democracy they’re fighting for?
O excelente grupo Beastie Boys lançou uma música contra a guerra. Bem corajoso e interessante. Para baixar a mp3 e ler a letra, basta acessar o site dos caras que fica em: www.beastieboys.com.
Abaixo a parte da letra que eu mais gostei:
It’s time to lead the way and de-escalate
Lose the weapons of mass destruction and the hate
Say ooh ah what’s the White House doin’?
Oh no! Say, what in tarnation have they got brewing??!!!!???!!
Well I’m not pro Bush and I’m not pro Saddam
We need these fools to remain calm
George Bush you’re looking like Zoolander
Trying to play tough for the camera
What am I on crazy pills? We’ve got to stop it
Get your hand out my grandma’s pocket
We need health care more than going to war
You think it’s democracy they’re fighting for?
terça-feira, março 11, 2003
domingo, março 09, 2003
sábado, março 08, 2003
Obrigado, presidente Bush
PAULO COELHO - ESPECIAL PARA A FOLHA
Obrigado, grande líder George W. Bush.
Obrigado por mostrar a todos o perigo que Saddam Hussein representa. Talvez muitos de nós tivéssemos esquecido de que ele utilizou armas químicas contra seu povo, contra os curdos, contra os iranianos. Hussein é um ditador sanguinário, uma das mais claras expressões do mal hoje.
Entretanto essa não é a única razão pela qual estou lhe agradecendo. Nos dois primeiros meses de 2003, o sr. foi capaz de mostrar muitas coisas importantes ao mundo, e por isso merece minha gratidão. Assim, recordando um poema que aprendi na infância, quero lhe dizer obrigado.
Obrigado por mostrar a todos que o povo turco e seu Parlamento não estão à venda, nem por 26 bilhões de dólares.
Obrigado por revelar ao mundo o gigantesco abismo que existe entre a decisão dos governantes e os desejos do povo. Por deixar claro que tanto José María Aznar como Tony Blair não dão a mínima importância e não têm nenhum respeito pelos votos que receberam. Aznar é capaz de ignorar que 90% dos espanhóis estão contra a guerra, e Blair não se importa com a maior manifestação pública na Inglaterra nestes 30 anos mais recentes.
Obrigado porque sua perseverança forçou Blair a ir ao Parlamento com um dossiê falsificado, escrito por um estudante há dez anos, e apresentar isso como "provas contundentes recolhidas pelo serviço secreto britânico".
Obrigado por fazer com que Colin Powell se expusesse ao ridículo, mostrando ao Conselho de Segurança da ONU algumas fotos que, uma semana depois, foram publicamente contestadas por Hans Blix, o inspetor responsável pelo desarmamento do Iraque.
Obrigado porque sua posição fez com que o ministro de Relações Exteriores da França, sr. Dominique de Villepin, em seu discurso contra a guerra, tivesse a honra de ser aplaudido no plenário, honra que, pelo que eu saiba, só tinha acontecido uma vez na história da ONU, por ocasião de um discurso de Nelson Mandela.
Obrigado porque, graças aos seus esforços pela guerra, pela primeira vez as nações árabes, geralmente divididas, foram unânimes em condenar uma invasão, durante encontro no Cairo.
Obrigado porque, graças à sua retórica afirmando que "a ONU tem uma chance de mostrar sua relevância", mesmo países mais relutantes terminaram tomando posição contra um ataque.
Obrigado por sua política exterior ter feito o ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Jack Straw, declarar em pleno século 21 que "uma guerra pode ter justificativas morais" e, ao declarar isso, perder toda a credibilidade.
Obrigado por tentar dividir uma Europa que luta pela sua unificação; isso foi um alerta que não será ignorado.
Obrigado por ter conseguido o que poucos conseguiram neste século: unir milhões de pessoas, em todos os continentes, lutando pela mesma idéia, embora essa idéia seja oposta à sua.
Obrigado por nos fazer de novo sentir que, mesmo que nossas palavras não sejam ouvidas, elas pelo menos são pronunciadas, e isso nos dará mais força no futuro.
Obrigado por nos ignorar, por marginalizar todos aqueles que tomaram uma atitude contra sua decisão, pois é dos excluídos o futuro da Terra.
Obrigado porque, sem o sr., não teríamos conhecido nossa capacidade de mobilização. Talvez ela não sirva para nada no presente, mas será útil mais adiante.
Agora que os tambores da guerra parecem soar de maneira irreversível, quero fazer minhas as palavras de um antigo rei europeu a um invasor: "Que sua manhã seja linda, que o sol brilhe nas armaduras de seus soldados, porque durante a tarde eu o derrotarei".
Obrigado por permitir a todos nós, um exército de anônimos que passeiam pelas ruas tentando parar um processo já em marcha, tomarmos conhecimento do que é a sensação de impotência, aprendermos a lidar com ela e a transformá-la.
Portanto, aproveite sua manhã e o que ela ainda pode trazer de glória.
Obrigado porque não nos escutastes e não nos levaste a sério. Pois saiba que nós o escutamos e não esqueceremos suas palavras.
Obrigado, grande líder George W. Bush.
Muito obrigado.
Não sou lá fã do Paulo Coelho, mas o texto está muito bem feito e merece ser lido.
PAULO COELHO - ESPECIAL PARA A FOLHA
Obrigado, grande líder George W. Bush.
Obrigado por mostrar a todos o perigo que Saddam Hussein representa. Talvez muitos de nós tivéssemos esquecido de que ele utilizou armas químicas contra seu povo, contra os curdos, contra os iranianos. Hussein é um ditador sanguinário, uma das mais claras expressões do mal hoje.
Entretanto essa não é a única razão pela qual estou lhe agradecendo. Nos dois primeiros meses de 2003, o sr. foi capaz de mostrar muitas coisas importantes ao mundo, e por isso merece minha gratidão. Assim, recordando um poema que aprendi na infância, quero lhe dizer obrigado.
Obrigado por mostrar a todos que o povo turco e seu Parlamento não estão à venda, nem por 26 bilhões de dólares.
Obrigado por revelar ao mundo o gigantesco abismo que existe entre a decisão dos governantes e os desejos do povo. Por deixar claro que tanto José María Aznar como Tony Blair não dão a mínima importância e não têm nenhum respeito pelos votos que receberam. Aznar é capaz de ignorar que 90% dos espanhóis estão contra a guerra, e Blair não se importa com a maior manifestação pública na Inglaterra nestes 30 anos mais recentes.
Obrigado porque sua perseverança forçou Blair a ir ao Parlamento com um dossiê falsificado, escrito por um estudante há dez anos, e apresentar isso como "provas contundentes recolhidas pelo serviço secreto britânico".
Obrigado por fazer com que Colin Powell se expusesse ao ridículo, mostrando ao Conselho de Segurança da ONU algumas fotos que, uma semana depois, foram publicamente contestadas por Hans Blix, o inspetor responsável pelo desarmamento do Iraque.
Obrigado porque sua posição fez com que o ministro de Relações Exteriores da França, sr. Dominique de Villepin, em seu discurso contra a guerra, tivesse a honra de ser aplaudido no plenário, honra que, pelo que eu saiba, só tinha acontecido uma vez na história da ONU, por ocasião de um discurso de Nelson Mandela.
Obrigado porque, graças aos seus esforços pela guerra, pela primeira vez as nações árabes, geralmente divididas, foram unânimes em condenar uma invasão, durante encontro no Cairo.
Obrigado porque, graças à sua retórica afirmando que "a ONU tem uma chance de mostrar sua relevância", mesmo países mais relutantes terminaram tomando posição contra um ataque.
Obrigado por sua política exterior ter feito o ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Jack Straw, declarar em pleno século 21 que "uma guerra pode ter justificativas morais" e, ao declarar isso, perder toda a credibilidade.
Obrigado por tentar dividir uma Europa que luta pela sua unificação; isso foi um alerta que não será ignorado.
Obrigado por ter conseguido o que poucos conseguiram neste século: unir milhões de pessoas, em todos os continentes, lutando pela mesma idéia, embora essa idéia seja oposta à sua.
Obrigado por nos fazer de novo sentir que, mesmo que nossas palavras não sejam ouvidas, elas pelo menos são pronunciadas, e isso nos dará mais força no futuro.
Obrigado por nos ignorar, por marginalizar todos aqueles que tomaram uma atitude contra sua decisão, pois é dos excluídos o futuro da Terra.
Obrigado porque, sem o sr., não teríamos conhecido nossa capacidade de mobilização. Talvez ela não sirva para nada no presente, mas será útil mais adiante.
Agora que os tambores da guerra parecem soar de maneira irreversível, quero fazer minhas as palavras de um antigo rei europeu a um invasor: "Que sua manhã seja linda, que o sol brilhe nas armaduras de seus soldados, porque durante a tarde eu o derrotarei".
Obrigado por permitir a todos nós, um exército de anônimos que passeiam pelas ruas tentando parar um processo já em marcha, tomarmos conhecimento do que é a sensação de impotência, aprendermos a lidar com ela e a transformá-la.
Portanto, aproveite sua manhã e o que ela ainda pode trazer de glória.
Obrigado porque não nos escutastes e não nos levaste a sério. Pois saiba que nós o escutamos e não esqueceremos suas palavras.
Obrigado, grande líder George W. Bush.
Muito obrigado.
Não sou lá fã do Paulo Coelho, mas o texto está muito bem feito e merece ser lido.
quinta-feira, março 06, 2003
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