terça-feira, novembro 12, 2002

Empolgado com o post da Patrícia / Stripped, resolvi postar um poema que eu já fiz há um tempinho e que sintetiza o mesmo feeling sobre o Rio de Janeiro.

De David Lima
[CARIOCA]


Tem coisa melhor do que ser carioca ?
Desculpem-me os outros brasileiros, mas ser do Rio de Janeiro
Tem um quê especial.

Ser carioca é acordar ranzinza, de mau,
passar na orla e curar um chifre com água de coco.
É ser santo do pau oco com um tridente na mão.

Ser carioca é falar mermão como se estivesse falando bem.
É dar um pulo na esquina e voltar bronzeado.
Ser carioca é ser abençoado.

É nascer com o cú pro pão de açúcar e matar a lua de inveja.
Ser carioca é foda em amplos os sentidos.
Pegar jacaré, andar no arpoador, arrumar quizumba pra se divertir...
Ser carioca é vida que pulsa até mesmo nos inertes.
É ouvir um batuque na esquina e sambar com um requebrado nato.

Ser carioca é ter parente na Abolição, Madureira, Méier, Quintino e estar sempre sorrindo,
mesmo que lhe falte os dentes.
Ser carioca, meu amigo, é conhecer o real sentido da palavra GENTE.
Eu queria comprar memória ram. Cheguei na loja e não tinha.
Eu queria comprar recarga pro barbeador, estava em promoção. Compraram tudo.
Eu queria cortar o cabelo. Cabelereiro não abre segunda-feira

Murphy me ! Murphy you !

sábado, novembro 09, 2002

O que eu não gostei esta semana:

- Que a Winona Rider foi condenada
- Daquele assassinato em SP [aquilo foi péssimo]
- Do porre de Domingo, quero dizer, da ressaca...
- De ter dado um beijo na Cíntia [foi pior que a ressaca]
- Do carro da Cíntia ter quebrado e eu ter ficado na pista no sábado
- De não ter tido lugar pra ir ontem [08/11] e ter que me socar no Empório

O que eu gostei:

- Do porre de Domingo
- De ter ficado sóbrio ontem [08/11] no Empório
- De ter encontrado amigos, amigas e meu primo no Empório
- Do dinheiro de natal antecipado que meu pai me deu
- De finalmente ter comprado um modem novo e poder escrever aqui de novo

quinta-feira, novembro 07, 2002

Não sou a Regina Duarte, mas tenho medo... - Acho que tenho medo de mim, medo de quem eu sou. Medo de dizer meu nome completo, idade, identidade, cpf, endereço, foto 3x4 – Sim ! Este sou eu. Medo porquê ? Veio de onde ?

Não sei, talvez da libertinagem da minha criação, pautada em não ter medo nem receio de nada. Tenho medo de mim agora, pois sou maior do que minha liberdade, sou maior do que todos os medos que existem pois tenho medo de ter medo de mim. Eu me tornei meu monstro, meu caçador, meu punidor, meu controlador, meu ditador... Eu ! Eu me ameaço, me privo, me condeno e me interrompo. Medo ? Será que isto é medo ?

terça-feira, outubro 29, 2002

Enfim, tempo para postar - A minha última semana foi teoricamente perfeita. Mas na prática parece que eu não quis experimentar a teoria a fundo. Como assim ? Tudo começou na Quarta-Feira, é, a semana realmente começa por aí ! Fui em um monólogo no Sesc de Copacabana para assistir uma atriz portuguesa em um texto de Gil Vicente. Foi extraordinário. E eu achei que iria ser um fiasco. Pela primeira vez na vida um português me fez rir. Na Sexta-Feira, no mesmo Sesc fui assistir Tom Zé com duas amigas minhas. Puta que pariu ! Dez vezes puta que pariu ! O cara simplesmente é foda... E ainda bem que eu já sabia disso e foi melhor saber também que ele não decepciona nunca e não frustra as expectativas. Tom Zé é sempre o mesmo e fantástico artista que, infelizmente, poucos brasileiros se dão ao trabalho de reconhecer. Depois do show zarpei direito para o Empório com as amigas. Lá foi aquela coisa óbvia de sempre, o que já está me irritando e me faz não querer aparecer lá tão cedo. Sábado era aniversário da minha irmã mas só cheguei em casa a noite, bem na hora da 'reunião particular' - nome dado a festa de aniversário depois que passamos dos 22. Comi, bebi e fui pra Lapa com 1 amiga. Chegando lá tinha o show do Rappa, claro ! Só que não tinha ingresso %&%&!@ Ai toquei o bonde pro Cine Ideal aonde encontrei: 1 amigo de escola, 1 amigo que estava no Pará, 1 cara que me conhece por ser amigo de amiga minha e lembrou de mim por foto, 1 bicha chamada Buffy que é uma piada. Tá ! Me diverti horrores, minha amiga ficou com meu amigo - o que veio do Pará - sai de lá 7 da manhã e cheguei em casa 7 e 30 ! Não beijei na boca de Quarta até hojeeeeeeeeeeee........ AHHHHHHHHHHHHHHHH! Quero beijar muuuuuuuuuuuito ! Alguém se candidata ?

quinta-feira, outubro 24, 2002

O que é que há com a nova literatura brasileira ?

Há em mim o teor de querer explodir em palavras. Há em mim o terror de ver isto tudo indo por água abaixo. As pessoas escrevem seus livros, poesias, sites, músicas e as colocam em prática como se fossem a “nova safra do mercado literário brasileiro !”

Há em mim o horror, a ojeriza a este tipo de gente que se auto intitula “nova literatura brasileira”, e os “novos escritores” não são senão, cópias doentias de suas inspirações, muitas vezes tão doentias tal qual quem os lê. Não cito nomes. Não. Nada disso é necessário, quem tem tino percebe do que falo e, logo os identifica. Que me adiantará uma citação de Bukowski ? Adiantam-me poesias de Fernando Pessoa, Elisa Lucinda, Cecília Meireles, Drummond, entre outros...

Não! Isto não é um beicinho de criança contra tudo o que ando lendo. Isto é sim um vômito de um enjôo que há muito persiste dentro de mim e, que não sei se acabará ao fim deste.

Não! Isto não é um protesto contra escritores estrangeiros, longe disto, inclusive porque acredito que artistas não tem nacionalidade. Artista é ser universal. Mas quando realmente é artista...

O que querem que eu diga ? Que às vezes me deprimo, me embriago, tenho problemas tal qual quem me lê ? Não! Usar das mazelas humanas – pessoais ou não – não faz minha estirpe, não faz meu estilo.

E o que é então que eu quero com isto ? – Sinto náuseas em meu estômago neste exato momento – Sei lá o que eu quero com isto! Só sei o que não quero.

A “nova geração de escritores brasileiros” não tem nada de novo... E porque ?
Porque foram surgindo neste vácuo que nos assola. Vácuo de informação, vácuo de ídolos, vácuo de humildade, vácuo de respeito, vácuo de compaixão, vácuo de amor principalmente.

Os “novos escritores brasileiros” não tem nada de novo para mim. São as mesmas raposas leitoras de Paulo Coelho que, desta vez por trás de máscaras de noites, beijos, problemas sexuais e indecisões infantis constroem uma identidade, ou simulam uma identidade. E quem lê isso meu Deus ? Quem lê ? Os pseudo-intelectuais das mostras de cinema, os primeiros da fila da estréia daquele filme Coreano ótimo que nem eles sabem o nome, aquele tipo de gente blasé, com cara de nada por terem falta de tudo.

Novos escritores brasileiros ? AONDE ? AONDE ESTÃO ? QUE OBRAS POSSUEM ?

Alô ? É, comecei a escrever, acessa meu blog ! É, vou lançar um livro pela editora Curumim do cú rosa ! É, lancei um pocket ano passado, mas foi só para amigos íntimos. É.... É...

Chega ! Chega ! É preciso que as máscaras caiam já para que um dia este tipo de gente não adentre uma Academia Brasileira de Letras. E as máscaras vão cair, queiram ou não. Falsos escritores brasileiros, os 15 minutos de fama de vocês estão no fim. Digitem seus últimos posts. Façam seus apelos desesperados. Coloquem seus livros para download gratuito. Porque daqui a algum tempo nem pagando vão ler essas monstruosidades. Digam bye-bye! Hasta la vista baby ¡

terça-feira, outubro 22, 2002

Um dia eu ainda telefono pra mim e digo tudo aquilo que eu quero ouvir. Faço vozes sensuais, entonações mil e desligo na minha cara para deixar o suspense.
Todo mundo lá !

O PT vai instalar telão na Praia do Leme, no Rio, para a turma conferir a apuração no domingo. Saindo fresquinho da coluna do Ancelmo Góis
Xexéo falou tudo o que eu queria dizer:

O depoimento de Regina Duarte no programa eleitoral do candidato José Serra foi criticado por todos os lados. A candidata a vice-presidente do PSDB, a deputada Rita Camata, veio em defesa da atriz. Regina foi patrulhada, denunciou. Fiquei grilado. Eu também critiquei Regina. Isso quer dizer que, contra todos os meus princípios, patrulhei?

Vem cá, que democracia é essa em que não se pode criticar a crítica? Qual é a graça de ter Regina Duarte fazendo um depoimento polêmico... porque era polêmico, não era? O Serra botou a namoradinha do Brasil no ar, dizendo que estava com medo de o Lula ganhar a eleição e, conseqüentemente, a inflação voltar aos 80% e achou que não haveria reação? Então, qual é a graça de ter Regina Duarte fazendo um depoimento polêmico se a polêmica não extrapolar o horário eleitoral?

Esta campanha eleitoral foi saudada, até agora, como a de mais alto nível entre as recentes campanhas políticas do país. Mas tentar convencer o eleitor de que Lula come criancinha, cá pra nós, é tão baixo nível quanto os acontecimentos de eleições passadas. Foi este o motivo que levou Regina a ser criticada. E se ninguém pode criticar o discurso de Regina Duarte, sob a justificativa de que numa democracia todo mundo tem o direito de expor seu pensamento, estamos numa democracia muita estranha. Uma democracia que aceita a réplica, mas rejeita a tréplica. É uma democracia manca. E, peralá, isso não tem nada a ver com patrulha ideológica.

domingo, outubro 20, 2002

"É preciso ter alma até para se chupar um chicabon" - Nelson Rodrigues